Peixe

Segundo tema-desafio: “Peixe”,  proposto pelo Erickson. Veja abaixo os nossos contos. Lembre-se de clicar em “LEIA MAIS” para ler um conto completo. Sinta-se livre para nos enviar seus comentários!

Conto do Vilar da Camara Neto:

“Aportei exultante. Em dois dias de pescaria solitária peguei um peixe grande, enorme para a espécie. Nessa hora a moçada deve estar no bar. Atraquei pensando no bafafá, o peixe realmente foi uma sorte danada, nunca pesquei nada igual. Precisava de uma câmera. Fui a pé até o bar, que era perto da marina. Lá estava a rapaziada, embalada no chope, fui sentando e enchendo a mão nos aperitivos. Já tinha entornado umas três ou quatro no barco pra sintonizar com o provável estado etílico em que encontraria a turma, acertei na sincronia. Nem quis saber qual era o assunto do momento. Interrompi a conversa e fui logo estrepitando o feito. A discussão pegou volume, outros frequentadores acabaram obrigados a ouvir. (…)” LEIA MAIS

 

Conto do Leandro Soriano Marcolino:

“- E você, Teófilo, o que quer ser quando crescer?- Eu quero ser um peixe.

A professora ficou estática. A sala, no mais completo silêncio. Até que finalmente ela esboçou um meio sorriso:

– Teófilo, meu querido, você não pode ser um peixe. Estamos falando de profissões, como bombeiro, policial, médico… Lembra do que discutimos, querido? Você tem que escolher alguma coisa assim, entendeu? (…)” LEIA MAIS

 

Conto do Armando Alves Neto:

“A última coisa que me restava era aquele peixe. Estava dentro do aquário de vidro, jogado em um canto, meio morto de fome. Há dias eu não sentia fome, mas lembrava de como isso era ruim. O pobre animal estava lá, movimentando-se de maneira lenta, letárgica, meio tonto, circulando seu espaço fechado sem objetivo. Assim como eu!

Aí meu Deus, como era triste o dia seguinte. Sobretudo pela manhã. Aquela ressaca que te queima por dentro, que retarda seus músculos e sacode o cérebro até te impedir de abrir os olhos. Mas, como poucos, eu tinha a plena consciência de que aquela reação física ao uso excessivo dos produtos não era a pior parte. O pior de tudo era a ressaca moral, o desejo de morrer na manhã seguinte, a vergonha de encarar as pessoas com os olhos vermelhos e o rosto esticado, que nem o peixe. (…)” LEIA MAIS

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